PARTE 2 | Pesquisa de Mercado
08/02/2008
Gente, por favor me desculpem pela falta de sexta passada!
Mas a semana foi realmente alucinante aqui na produtora.
Segue, finalmente, a Parte 2. Boa Leitura!
Texto traduzido do original de Stacey Parks:
(By Stacey Parks)
Parte 2 | Pesquisa de Mercado
“Trabalhar um outro filme, capaz de ser vendido facilmente aos
distribuidores pode ser o caminho para tornar realidade aquele seu projeto especial.”
Para começar nosso assunto, vamos focar na necessidade da pesquisa de mercado e como algumas poucas horas dedicadas a uma breve pesquisa podem proporcionar um grande efeito em você e no seu filme. A pesquisa de mercado poderá lhe economizar, literalmente, milhares e quem sabe até, milhões de dólares. Como?
Muitos realizadores têm uma idéia de filme em suas cabeças e acreditam que se trata do filme que até hoje o mundo inteiro estava esperando ou que se trata da sua mina de ouro. Talvez até seja, talvez não. De qualquer forma, antes mesmo de começar a depositar energia, tempo e dinheiro no roteiro, existem muitas variáveis a se considerar para a história que você deseja contar. A seguir, apresentamos uma lista de perguntas que você deve se fazer:
- Existe público para meu filme?
Distribuidores vendem filmes para o público. Este é o trabalho deles. Se não existe nenhuma temática de apelo universal, nada que cada espectador possa se identificar, seja amor, perda, medo, o público será limitado e o distribuidor terá pouco interesse em adquirir seu filme.
- Que público é esse?
Distribuidores estão sempre a procura de filmes com potencial de abraçarem o maior número possível de espectadores. Alto número de espectadores significa maior probabilidade de altos lucros. Se o seu filme claramente demonstra ser voltado para um pequeno “nicho” de espectadores, certamente você terá maiores dificuldades em fechar um contrato de distribuição. Por exemplo, se você tem a idéia de fazer um filme mudo porque ninguém mais produz esse tipo de filme hoje em dia, possivelmente, poucas pessoas pagariam para assistir seu trabalho. Mas os Distribuidores, não. Nenhum Distribuidor pagaria por esse filme, levando em consideração que ele jamais recuperaria os gastos aplicados e por mais que seu filme seja o mais diferente de tudo o que está lá fora no mercado, seu público não passaria de um punhado de gente.
Mas note que existe sim uma possibilidade para os filmes de “nicho”. O filme de “nicho” é um filme que trabalha um público extremamente especial, mas embora pequeno, certeiro e fiel. Por exemplo, filmes com temáticas gay, documentários musicais e temáticas religiosas: Um filme de “nicho” vem sempre com um público garantido e os Distribuidores sempre levam isso em consideração.
- Com qual “gênero” estou trabalhando?
Isso pode não lhe soar bem, mas gêneros realmente são levados a sério e você sendo capaz de alocar seu filme em um gênero específico, apenas facilitará a vida comercial de seu filme e lhe ajudará mais tarde. Os Distribuidores obviamente devem ser capazes de vender seu filme para uma determinada audiência. Se não existe nenhum viés para essa negociação, o Distribuidor pode deixar seu filme de lado mesmo tendo o adorado; ele pode pensar que é muito difícil de encontrar o público ideal para o seu filme. Lembre-se, Distribuidores são abordados por milhares (literalmente!) de realizadores ao ano e tem capacidade de distribuir um punhado de títulos. Então, facilite para receber um “sim”! Com um pouco de jogo de cintura você pode manter o filme que você quer e proporcionar um negócio lucrativo para ambos os lados.
- Quais são as regras deste gênero e terá este meu filme o perfil adequado?
Novamente, essa questão pode soar bem estranha, mas existem certos gêneros que pedem regras especificas. Se seu projeto é de um filme de terror, basicamente ele precisa ser aterrorizante. Naturalmente, filmes de terror têm apelo de massas. Mas outro gênero, como comédia romântica, por exemplo, que é a especialidade dos estúdios, você precisa muito mais que apenas um filme comercialmente bom. Você precisa de elementos que lhe permitam competir com os similares dos estúdios. Quando se fala em comédia romântica, parece que todas têm uma coisa em comum: Um nome. Um nome famoso pode vender uma comedia romântica. Quando você se perguntar, “este filme contempla as regras do gênero ao qual se propõe?”, efetivamente, pesquise sobre o gênero que você pretende trabalhar. Pode até parecer uma coisa boba, mas visite as sessões das locadoras com “outros olhos”, assista os canais de TV onde você gostaria de ver seu filme sendo exibido, conheça filmes já finalizados, passeie por diretórios e portais como IMDB, Netflix, enfim, pesquise. Estude o gênero ao qual seu filme se propõe para identificar os elementos em comum que proporcionaram sucesso as produções. Esses filmes que foram bem aceitos, contaram com um ator famoso? Era um “ator A” ou “ator B”, em termos de popularidade? Estude aqueles filmes que você acredita terem uma proposta semelhante ao seu e que estejem dentro do gênero ao qual seu filme se propõe, para então entender como eles operaram. Quais os caminhos que os levaram a ter bons resultados.
Mesmo os detalhes que aparentemente possam parecer mais banais, certamente lhe dirão muito sobre o futuro de seu filme. Infelizmente, para a maioria dos filmes, uma boa história apenas não e o suficiente. Mas, se adicionar um ator prestigiado é o que você precisa para ter sua história produzida e exibida para o mundo todo, parece ser esse um preço interessante de se pagar.
Fazer um filme e um enorme investimento de tempo, energia e dinheiro. Você irá dedicar toda a sua alma para este projeto e possivelmente, todo o seu dinheiro também. E eu não preciso lhe dizer o tamanho da aposta que você faz ao iniciar um projeto cinematográfico. Quando você começa o longo – muitas vezes frustrante, muitas vezes gratificante – processo de se fazer um filme, você deve manter certos elementos em mente que podem lhe proteger de ouvir um “é muito arriscado” ou “seu filme não tem mercado” de um potencial distribuidor. Por exemplo, você pode até ter uma ótima comédia romântica nas mãos, mas se você não tem um “nome” (e lembre-se, este nome pode ser um ator ou mesmo um produtor ou diretor), provavelmente você entrou no jogo para perder – My Big Fat Greek Wedding acontece uma vez em décadas. E o Tom Hanks era o produtor, então o filme contava com o poder daquele nome. Se você não tem orçamento para contar com uma “estrela” considere trabalhar num outro gênero, que comporte seu orçamento. Essa atitude pode parecer ir contra a natureza da produção independente, mas ela pode funcionar como uma grande estratégia pra você, alem se garantir uma segurança em longo prazo. Você não precisa abandonar seu projeto, mas sim, preservá-lo durante um determinado momento.
Trabalhar um outro filme, capaz de ser vendido facilmente aos distribuidores pode ser o caminho para tornar realidade aquele seu projeto especial. Os investidores estarão mais dispostos a financiar um filme uma vez que você tenha algo bem sucedido no seu currículo. Muitas armadilhas e decepções podem ser facilmente evitadas, apenas fazendo uma boa pesquisa de mercado e mapeando os elementos necessários para se fazer um filme “comerciável”. A sua primeira e melhor defesa, não apenas para fechar um contrato de distribuição e ter seu filme visto no mundo todo, mas para dar um salto na sua carreira e garantir oportunidades para os próximos anos é tornar difícil para os Distribuidores dizerem o “não”.
Tradução: Ana Paula Mendes.
(Destaques meus.)
Leia na próxima sexta feira a parte 3 | Pré-Produção.
*A série de textos é dividida em 10 partes e contém algumas das informações presentes no livro “The Insider’s Guide to Independent Film Distribution” (Focal Press, maio de 2007) de Stacey Parks, fundadora do portal on-line Film Specific, do qual sou associada desde novembro passado e aconselho a todos colocarem o portal nos seus “favoritos”.
* “The ten-part series The Beginner’s Crash Course In Film Distribution distills some of the information contained within Film Specific founder, Stacey Parks’s book The Insider’s Guide to Independent Film Distribution (published by Focal Press, May 2007) into a mini-guide for independent filmmakers.”
Entry Filed under: A Escola de Distribuição, AULA 2. Tags: O público do seu filme.

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